BOLETIM FILOSÓFICO XVII BY WILLIS SANTIAGO GUERRRA FILHO

BOLETIM FILOSÓFICO XVII BY WILLIS SANTIAGO GUERRRA FILHO


Perspectiva Ontropológica II:

A abordagem quântica.

Willis Santiago Guerra Filho

Professor Titular do Centro de Ciências Jurídicas e Políticas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Professor Permanente no Programas de Estudos Pós-Graduados em Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Bacharel em Direito e Livre Docente em Filosofia do Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC).  Doutor em Direito pela Universidade de Bielefeld (Alemanha). Doutor e Pós-Doutor em Filosofia pelo IFCS-UFRJ. Mestre em Direito, Doutor em Semiótica e Comunicação, Doutor em Psicologia Social/Política pela PUC-SP.

        Desde há muito já se encontra abalada a concepção atomística da realidade, proposta explicitamente na antiga filosofia grega, segundo a qual esta totalidade que é o mundo, com tudo o que nele se contêm, resulta de um arranjo casual entre partes invisíveis e indivisíveis. Este abalo é oriundo do desenvolvimento da ciência física, seja no plano cosmológico, com a(s) teoria(s) da relatividade einsteiniana, seja naquele microfísico, com a abordagem quântica – onde, na realidade, o abalo foi ainda maior, visto que a mecânica relativística ainda se apresenta como um desenvolvimento da concepção clássica, galileico-newtoniana,[1] tanto que há quem postule que seria um empecilho para o desenvolvimento de uma outra, já não mais relativística, como até certo ponto já era a mecânica clássica, mas sim “relacional”, a partir de propostas de Mach, abandonadas, segundo esta proposta, indevidamente.[2] Na(s) primeira (s), já a associação estreita do tempo ao espaço, em uma quarta dimensão, finita, solapa o pressuposto do materialismo atomístico,[3] pelo qual se explicaria a improbabilidade, beirando a impossibilidade, de que se produza o arranjo cósmico a partir do caos atômico – para se ter uma ideia do tempo necessário para que se desse esse arranjo, imaginemos quanto tempo levaria um computador, mesmo se muito mais possante que o mais potente da atualidade, para ordenar um texto, combinando aleatoriamente as letras do alfabeto, aqui consideradas equivalentes aos átomos, e nesse texto, já por ser um texto, desaparecesse o sem-sentido, aparecendo em seu lugar uma narração compreensível ou, pelo menos, reconhecível como tal, ainda que similar àquela do Finnegans Wake de Joyce. Estamos aqui diante da pressuposição da eternidade ou infinitude do tempo, numa concepção cíclica, no âmbito da qual, por acaso, em algum momento as infinitamente diversas combinações possíveis entre átomos, incriados e eternos como o mundo, resultariam naquela em que passaria a existir a ordenação cósmica, brotando a physis, a natureza incriada, porém criadora e, nela, também por acaso, nós humanos, inseridos numa ordem dentro desta ordem maior, que é a ordem social, bem como dotados de uma ordenação, por assim dizer, interior: o psiquismo. Sendo infinito o tempo, isso não só ocorreria em algum momento, mas também repetida e infinitamente,[4] ou seja, tanto retornaria eternamente o mesmo (Nietzsche), como o diferente (Deleuze).[5]

        A física atual, no entanto, nos informa que o universo em que nos encontramos surge em determinado momento, há poucos bilhões de anos, e não sabemos ainda quanto tempo durará, mas sabemos que vivemos em um intervalo, entre esse lapso de tempo que foi necessário para se produzirem as ligações químicas – e, a partir delas, também aquelas biológicas – indispensáveis à nossa existência e o tempo enquanto permanecerão para, continuando, continuarmos, se não ocorrer o mais provável, que é o nosso desaparecimento, assim individual, como coletivo, em intervalo muitíssimo menor do que aquele da duração do universo.

        Uma conclusão daí decorrente, de espírito einsteiniana, é a de que não vivemos em um universo regido por leis que o ordenam de maneira estável. E isso porque, dentre as muitíssimas ou, mesmo, infinitas maneiras possíveis de se constituírem mundos com variações na densidade de matéria e energia balanceadas, equilibradas, nenhum seria como o nosso. Nele, graças à assimetria ou gradiente diferencial entre a energia densificada ou concretizada em matéria e aquela que permanece desmaterializada, ocorrem fluxos, transformações, processos, implicando a passagem de um estado a outro, logo, dotados de irreversibilidade temporal, tornando-se orientados à produção de resultados, traduzíveis em informação, graças à entropia. Assim, como explica J. Zeman,[6] “o princípio da vida, o princípio do pensamento, os processos de informação não podem prosseguir (ou mesmo, diríamos, surgir – WSGF) sem gradiente, sem desbalanço, sem diferenças em certos níveis”. Toda ordenação, portanto, é aparente, por provisória e “inestável”, sujeita que está à entropia cósmica, sendo que, se há entropia, tendência inexorável à degradação, não há cosmos, a não ser que consideremos como tal os estados de “metaestabilidade” (Simondon) que se formam durante essa degradação, propiciando uma organização ou “coagulação” temporária (logo, também, temporal) no fluxo de matéria e energia. Tal coalescência ou concrescência é capaz de produzir, num primeiro momento, a permanência da energia como matéria, física, que se prolongando pode resultar na vida e, esta, em também se estendendo suficientemente, produz tecnologias de sobrevivência, até resultar na inteligência reflexiva de que somos dotados, os humanos. Cada passo desses é tão improvável que a nossa existência pessoal se torna virtualmente impossível, por extremamente improvável, sendo daí que podemos, se não explicar, pelo menos entender porque somos tão singulares, assim como há tanta singularidade ao nosso redor, pois todo ente o é, único, diverso dos demais: é que o provável pressupõe o possível, e só o impossível pode ocorrer uma vez, sem que assim se torne possível de novamente ocorrer (em tempo-espaços finitos, bem-entendido).

        A exploração do nível quântico ou “micromundo”, mais do que aquela do “macromundo” pela cosmologia, reserva-nos surpresas ainda maiores do que quaisquer das formulações que tenham nos oferecido as diversas ontologias, isto é, as teorias ou doutrinas sobre a constituição fundamental da realidade, que fomos capazes de imaginar no “mesomundo” em que convivemos. Já podemos supor, a partir do quanto aqui se expôs, que a regressão de nossa observação do mundo a uma escala de tamanho tão reduzido, a do “micromundo”, expressa em uma ordem de grandeza infinitesimal, com números de tantas casas decimais quanto aquelas de tempo e espaço empregadas na descrição do “macromundo”, também fará desaparecer as entidades individuais estáveis que são o que se chama de átomos, permanecendo em seu lugar um quantum de energia, indivisível e discreto (é dizer, descontínuo); literalmente, um “pacote” de ondas, energéticas, as quais assim “empacotadas” adquirem natureza corpuscular, matéria, que associada a um campo pode aparecer como partícula, individualizada.[7] Ocorre que o campo quântico é concebido de maneira muito diversa daquela como se concebe classicamente os campos na física, enquanto algo semelhante a um fluido que permeia o espaço, onde cada ponto tem um estado mensurável com deslocamento na direção determinada (logo, calculável, previsível) pelo campo. O campo quântico, ou “quantizado”, para permitir os estudos no “micromundo”, não fornece nenhum valor específico para um ponto isolado no espaço, mas sim um espectro de valores possíveis, sendo que o escolhido o é pela adoção de um construto ou operador matemático, como o vetor de estado (spin, orbital etc.) ou “função da onda”, que representa a configuração do sistema em questão e, logo, não é aplicável a um só ponto do espaço, mas sim a todo ele,[8] até porque, pela sobreposição quântica, permanecem os sistemas microfísicos, como os elétrons, existindo parcialmente em todos os estados teoricamente possíveis simultaneamente antes de ser medido e só quando medido ou observado vai se mostrar em um único estado, saindo do estado de transição do quantum critic – [9]   para seus observadores, bem-entendido.

        Note-se que os campos quânticos não especificam sequer probabilidades, pois para tanto ainda precisam ser combinados com o vetor de estado, que é holístico, por descrever o sistema como um todo, sem se referir a qualquer localização em particular.[10] É na perspectiva de um campo no sentido clássico que a luz pode vir a ser interpretada como a propagação de ondas pelo espaço, “colapsando” em partículas ou corpúsculos quando da mensuração do seu estado quântico, de uma maneira que se permite calcular apenas probabilisticamente, pela “desigualdade” ou, como é mais conhecida, a “incerteza” (uncertainty), por conta da má tradução para o inglês, que é a “indeterminação” ou “incompletude” (Unvollständigkeit) constatada por W. Heisenberg, surgida no momento em que se introduz um outro sistema ou campo, clássico, formado pelos instrumentos de medição, responsáveis pelo limite inerente a toda “tradução”, também nesse contexto destinada a ser apenas aproximadamente fidedigna, do que se tem na dimensão quântica para aquela em que nos encontramos – donde ter o físico de último referido considerado a física não mais como o estudo da natureza, mas sim o de nosso conhecimento a respeito dela, por conta da indiscernibilidade daí decorrente entre sujeitos observadores e objetos por eles observados, o que bem pode ser extrapolado para o conhecimento nos diversos níveis de “ordenação da realidade” (Heisenberg),[11]  tornando-se  perceptível quando consideramos o nível humano, tanto psíquico como social, em que podemos supor não ser por mero acaso que disciplinas como a história e o direito são denominadas da mesma forma que o objeto por elas estudado. De se notar, também, é que nos deparamos nesse contexto com a improbabilidade da comunicação, com base na qual Niklas Luhmann erigiu sua teoria da comunicação e da sociedade, exemplificando com o “amor como paixão” predominante na modernidade, quando o relacionamento amoroso se torna problema e a incomunicabilidade entre os envolvidos uma regra a ser simbólica e congruentemente generalizada, garantindo expectativas ameaçadas de serem decepcionadas pela condição de dupla contingência a que se submetem: uma física, real, de fundo, e outra social, também real, de forma, “informacional”, como ilustra a figura abaixo.[12]

        Para a melhor compreensão do quanto se expõe, é preciso aludir que o estudo da constituição fundamental do mundo nos confronta, ainda, com o fenômeno da superposição ou emaranhamento quântico entre partículas que podem distar muitíssimo uma da outra, mas funcionam como uma unidade, tendo seu spin definido identicamente pelo sistema que formam, perdendo as propriedades que a distinguem entre si.[13] Agora, as partículas prováveis passam a compartilhar não apenas características que lhes são inerentes, como massa e carga, mas também propriedades espaço-temporais, como a faixa de posições em que podem ser encontradas.  Elas se tornam indiscerníveis para seu observador, cabendo questionar se ainda são diversas ou se, ao contrário, não seriam já uma só, por investidas das mesmas propriedades, que também não seriam de nenhuma delas, mas do sistema a que pertencem e em que se tornaram idênticas, deixando de ser partículas ou partes, para se tornarem uma, ou um todo. Afinal, o que um detector registra, “acelerando partículas”, é um grande número de excitações dispersas pelo sensor, excitações em um campo quântico, que na presença de um observador aparecem como partículas, variáveis de acordo com seu estado de movimento: onde um observador em repouso observa um vácuo frio, um observador acelerado verá um gás de partículas aquecido, assim como um contador Geiger sempre capta algum sinal no vácuo, isto é, na “ausência” de partículas.[14]

        Daí chegamos a um contexto favorável à apresentação de hipótese que se formula a partir desses estudos de física quântica, que tanto pode ter valor heurístico neste âmbito científico, como também naquele que tradicionalmente se designa como “metafísica” e, mais especificamente, neste último, o da ontologia, sendo que a partir desta que igualmente foi chamada, na antiguidade grega, de “filosofia primeira” ou, literalmente, “protofilosofia” – proté philosophia –, é possível se extrair consequências para todo o seu amplo espectro de influência, desde aquelas matérias voltadas para o estudo do próprio conhecimento, seja em geral, como a gnosiologia, seja mais específica ou especializadamente, como a epistemologia, até aquelas como a filosofia política e do direito, de conotação mais axiológica, por envolverem a temática dos valores, assim como a estética e a teologia, por exemplo. A hipótese seria a de que tudo surge a partir das relações que propicia um certo (na elaboração de Jorge de Albuquerque Vieira,[15] a partir de Mario Bunge,[16] espaço de) estado ou sistema previamente dado no fluxo de expansão do universo e, assim, o que denominamos cognitivamente como objeto ou ontologicamente como um ente seria um ponto decorrente do emaranhamento dum feixe dessas relações, uma espécie de nó portanto, atribuindo-lhe as propriedades que, no mesmo movimento, em diferentes graus (ou gradientes) o diferencia de e assemelha a outros. A esse tipo de posição se vem referindo ora como uma forma de realismo, dito estrutural ôntico,[17] advogando a prioridade e consistência ontológica das estruturas, ora como um nominalismo, que nega o caráter universal das propriedades, por serem o que constituem os indivíduos em sua singularidade, ao se unirem de certa maneira, nominalismo este dito “trope” ou “ontologia de tropos”.[18] Já a indefinição quanto a ser uma forma de realismo ou de nominalismo indica que estamos diante de uma retomada, de modo revigorado, do antigo problema dos universais, tanto que a proposta conciliatória de J. Duns Scotus, na Baixa Idade Média, que o levou a cunhar a expressão hecceitas ou (h)ecceidade – literalmente, “eisidade” ou “estidade”, pela substancialização do pronome ecce, “eis” ou “este”, derivado do tóde ti, i.e., o “certo este” da análise aristotélica das diversas formas de se dizer o ser – para referir o que conceitua como “distinção formal” e denominar o princípio de individuação, passa a circular como termo técnico entre físicos e filósofos,[19] indistintamente, no contexto da discussão que nos ocupa, favorecendo a adoção de abordagens “desubstancializadas”, como é a da teoria luhmanniana de sistemas, por exemplo. Combinando as abordagens antagônicas mencionadas, chegamos ao que se pode denominar como uma perspectiva “ôntico-ontropológica”.

        Cabe aqui uma observação que decorre do debate entre Heisenberg e Heidegger sobre o que afinal nos revelaria a física quântica, em termos metafísicos, ontológicos, debate este recentemente reconstituído.[20] Para o primeiro, extraindo consequências metafísicas de suas próprias descobertas, a abordagem quântica revela que o objeto de estudos da física não é a natureza propriamente e sim a reconstrução matemática dela pelo estudioso, logo, ele próprio, o que Heidegger contesta, por manter uma concepção do que sejamos inaçambarcável por esse modo representacional e instrumental: o que se revela, para ele, é o último estágio de nossa captura em tais instrumentos, no aparato instrumental, que ele denomina de Gestell, a essência da técnica.[21]

        Ao fim e ao cabo, então, ao invés de superar a relação entre sujeito e objeto, o desenvolvimento da física quântica nos colocaria diante desta relação mesma, enquanto constitutiva tanto do sujeito como do objeto, em sua pertença mútua. Eis que encontramos com postulações epistemológicas esquecidas, feitas por alguém que se notabilizou como jurista, mas que iniciou seu percurso como matemático e atento estudioso dos últimos desenvolvimentos da física de princípios do século XX. Pontes de Miranda considerava que “a própria consciência, o conhecimento mesmo, é o resultado de uma relação”:[22] Do conhecimento oriundo do sujeito pro-jetado no objeto ao conhecimento do ob-jeto pelo su(b)-je(i)to reduzindo-se a “jeto”: o avanço do conhecimento é um processo de “[des(ub)-ob-]jetificação”. O “jeto” é a “coisa em si” de kantiana memória transformada em objetivo, ao invés de objeto, do conhecimento.[23]

        A capacidade do homem de thaumazein, ou seja, estranhar ao mundo e a si, assombrando-se a maravilhando-se, à que tanto Platão como Aristóteles associavam a origem do filosofar, uma vez associada com a tecnologia, produto da quantificação do universo, passa a ser um filtro entre o observador e o mundo. A terceira figura que surge desta associação preenche todo o cotidiano do homem com artifícios tecnológicos, facilitando-lhe o que for, menos o acesso ao ser, o seu e em geral. O método científico aplicado ao ser, de fato, encontra grandes dificuldades, pois em sua base se tem a formulação de hipóteses, ou seja, não de perguntas, como: o que é ser? (τί το ον.). A resposta pergunta o que ela é, ser o ser, perguntado por um perguntador (Fragender). Temos que observar o que é o observar, observando-nos observados observando-se. É a proposta de Luhmann, na esteira de Maturana e Varela, forjada no ambiente do Instituto de Palo Alto. É no laboratório de Palo Alto que Heinz von Foerster vai propor descrever sistemas cibernéticos, dotados de inteligência artificial, que se auto-regulam (self-organizing systems).[24]

        A interpretação teológica do universo evita confrontar-se com o ser. Talvez por isso a religião seja um traço fundamental do Homo sapiens sapiens, pois seu genótipo dentro do algoritmo genético pressupõe as regras orgânicas para criar tecnologia. O gênero Homo, pelo menos desde o Homo habilis, pressupõe a tecnologia e isso é como se fora o nosso pecado original, a marca que fundamentalmente nos define. Infelizmente, a tecnologia pressupõe a possibilidade de chegarmos a quantificar o tempo, desencadeando a nossa atual crise civilizacional. Com a religião, apaziguamos uma primeira crise, pré-civilizacional, ao atravessarmos uma fase quântica de transição (quantum fase transition), evitando a pergunta sobre o que é o ser, por nossa incapacidade em definir o que é precisamente ser (to be).[25] Em teologia, Deus existe tornando toda forma de auto-referência posterior condicional a este axioma inicial, um dogma, ou seja, a forma religiosa de uma doxa, uma Urdoxa, que é também uma Urglaube, para dizermos com Husserl, a partir do que consta na seção 104 de “Ideen I”.

        Há uma tendência a tratar a questão do ser em metafísica que o define apofaticamente como oute to on genos (ser não é um gênero), pois a universalidade de ser ultrapassa a generalidade do genus. Aristóteles tem uma posição semelhante, ao definir o ser como transcendens, vetando toda “metabase (= transição, mudança ↔ transmutação) para outro gênero” (μeτταβασe αλλο γενος), o que é amplamente reconhecido como o grande empecilho para a quantificação e correspondente matematização da física.[26] Uma outra tendência, que também remonta a Aristóteles, trata o ser como indefinível, ou seja, a forma de definir implica encontrar o genus mais próximo e diferença específica entre os demais objetos (definitio fit per genus proximus et differentiam specificam), o ser como transcendens não pode ser definido por não ter genus proximus. Uma outra tendência ainda vai no sentido de tratar o ser como evidência de si mesmo, indice sui. Martin Heidegger argumenta na obra Sein und Zeit que precisamente estas tendências ou preconceitos são responsáveis pelo fato de que a questão sobre o significado de ser não seja formulada corretamente.

        Dentro desta mentalidade preconceituosa, o ser permanece excluído da quantificação a que são sujeitos os objetos, acenos indicativos do próprio ser. O ser que somos quantifica todos os demais, menos a si próprio – pelo menos, com a pretensão de cientificidade, exceto em delírios epistemológicos extremados. O ser se converte, assim, no incomensurável, em algo que é a definição mais universal e com menos conteúdo, o infinitésimo, sem referência com nada que consigo mesmo. Metafisicamente, se instaura o ser como o temos na chamada pós-modernidade. O ser se torna metafisicamente semelhante a uma figura arcaica do direito romano, ressuscitada por Giorgio Agamben em sua obra Homo Sacer. No quase nulo estudo do ser, devido a seu estado de super-definição e, logo, também, de não definição, é como se o ser em metafísica fosse algo não sacrificável por ser sagrado e ao mesmo tempo descartável, ao que se deve não fazer referência para não desencadear um erro metodológico.[27] O homo sacer era a condição em que se investia aquele condenado por um delito tão terrível e ofensivo, o ponto de deixar de ser ilícito sacrificá-lo, a fim de assim reparar o seu dano – e, no mesmo ato, redimi-lo, ofertando-o em sacrifício, sacri-ficando-o -, mas quem o matasse não seria apenado. É essa indefinição metafísica do ser mesmo que alegoricamente tem suas consequências pelo abandono da questão do ser, de acordo com o célebre diagnóstico de Heidegger, e faz com que o ser seja um reflexo do mundo de hoje, onde temos pelo menos um bilhão de seres sem segurança alimentar, terrorismo de grupos diversos, incluindo aqueles estatais, campos de concentração e destruição do nosso próprio local de existência, o planeta. Uma progressão típica onde o ser não é levado em conta, pois destruímos os meios fundamentais para a sua existência. O ser não é sacrificável, mas qualquer um pode eliminá-lo, impunemente. A politização e as leis do estado moderno são desenhadas para a zoé, para o estar vivo, quando o estar vivo e o ser não são a mesma coisa – ser humano é uma forma de vida socialmente construída, bios, lembrará Agamben. Uma coisa antecede a outra, mas o ser não existe em um corpo vivo com cérebro morto, tal como prescrito nas legislações atuais, e enquanto não se cumpra o prognóstico de Ray Kurzweil – no seu livro publicado em 1999, “The Age of Spiritual Machines: When Computers Exceed Human Intelligence” -, até podemos falar em vida artificial, com Manuel DeLanda,[28] mas não que se encontre a presença do ser que somos ou que é em nós, nos corpos de silício em que habitam os programas de computador – logo não devemos confundir a existência do corpo com a existência do ser, antropologia com ontropologia.

[1] Cf. Françoise Balibar, Einstein: uma releitura de Galileu e Newton. Espaço e Relatividade, trad. Arlindo José Castanho, Lisboa: Edições 70, 1988.

[2] Neste sentido, André Koch Torres Assis, Uma nova física, São Paulo: Perspectiva, 2002.

[3] Vale lembrar o parecer de “Sir” Karl Popper, com relação aos pré-socráticos, afirmando “que há a mais perfeita continuidade possível entre suas teorias e os ulteriores desenvolvimentos da física”. O Mundo de Parmênides. Ensaios sobre o Iluminismo Pré-Socrático, Arne F. Petersen (org.), trad. Roberto Leal, São Paulo: EdUNESP, 2014, p.8.

[4] Cf., v.g., Michel Serres, O nascimento da física no texto de Lucrécio. Correntes e Turbulências, trad. Péricles Trevisan, São Paulo/São Carlos: EDUNESP/EdUFSCar, 2003, p. 74; Michel Paty, A Matéria roubada. A apropriação crítica do objeto da física contemporânea, trad. Mary Amazonas Leite de Barros, São Paulo: EDUSP, 1995, pp. 73 ss e, fazendo um contraponto a Serres, p. 79.

[5] Cf. Gilles Deleuze, Diferença e Repetição, 2ª. ed., trad. Luiz Orlandi e Roberto Machado, Rio de Janeiro: Graal, 2006, pp. 74 e 359.

[6] “Informação, Conhecimento e Tempo” trad. Jorge de Albuquerque Vieira (mimeo.). In: L. Kubat; Id. (eds.), Entropy and Information in Science and Philosophy, Praga: Elsevier, 1975.

[7] Lembremos, nesse passo, o quanto alertava um dos pioneiros da física quântica, Erwin Schrödinger, em obra de cunho mais filosófico e de discussão pública: “Quase parece uma zombaria que precisamente nos anos em que conseguimos perceber os átomos e os corpúsculos separados, por diversos métodos, nos achemos obrigados a deixar de lado a ideia de que tais corpúsculos sejam entes individuais que conservam em princípio sua ‘identidade’ para sempre. Muito ao contrário, temos que afirmar que os componentes últimos da matéria carecem por completo de ‘identidade’. Quando observamos uma partícula de certo tipo, por exemplo, um elétron, aqui e agora, é necessário considerar isso como acontecimento isolado. Ainda que observemos uma partícula análoga pouco depois, em ponto próximo do primeiro e ainda que tenhamos todos os motivos para supor que entre a primeira e a segunda observação existe conexão causal, não tem sentido certo e exato a afirmação de que é a mesma partícula que observamos em ambos os casos. (…) É indubitável que o problema da ‘identidade’ (de partículas elementares) carece real e verdadeiramente de sentido”. Science and humanism, Cambridge: Cambridge University Press, 1952, p. 24 – 25.

[8] Cf., v.g., Meinard Kuhlmann, “Quantum field theory”, in: Stanford Encyclopedia of Philosophy (in: http://plato.stanford.edu/entries/quantum-field-theory), 2012; mais amplamente, Id., The ultimate constituens of the material world: in search of an ontology for fundamental physics, Frankfurt a. M.: Ontos Verlag, 2010, bem como a resenha desta obra por Frederico Laudisa, “The physics and metaphysics of quantum field theory”, in: Metascience, n. 21, Wien etc: Springer, 2011, p. 621 – 623; e, de um modo geral, Michel Paty, A Física do Século XX, trad. Pablo Mariconda, Aparecida/SP: Idéias & Letras, 2009, caps. 3 a 8, pp. 49 ss.

[9] A expressão “quantum critic”, foi cunhada a partir daquela outra, com sentido técnico em microfísica, que é o de “quantum critical point” – cf., v.g., P. Coleman e A. J. Schofield,  “Quantum criticality”, Nature, vol. 433, n. 7023, 2005, p. 226 – 229. Este campo de pesquisa sugere, com base no principio da incerteza, que talvez exista um mundo sombrio onde as leis da física transmutam e inclusive os elétrons sofrem uma espécie de crise de identidade, resultando em um material com características inexplicáveis: a anti-matéria. Estes mundos existem na margem do inteligível, devido a suas características infinitésimas, tanto que para observá-lo temos que nos aproximar de pontos críticos, como temperaturas de zero absoluto, em que poderíamos simplesmente não compreender o observado, por haver perturbado o sistema para poder observá-lo. A este mundo obscuro chamaremos de quantum critic e precisamente ele é que aparece em um momento de transição entre fases, como por exemplo a transição do estado líquido da água para seu estado gasoso. O quantum critic é manifestação do momento infinitésimo de tempo ou o tempo instantâneo entre a mudança abrupta no regime atômico de um material. Aqui se atribui à expressão um significado para além deste, originariamente científico-natural, abrangendo-o. A opção por deixá-la em inglês decorre da alusão que assim melhor se mantém, evitando flexioná–lo no masculino, ao termo de grande expressão filosófica, “crítica”, do grego krisis (κρισις) – originariamente, na antiga Grécia, onde κρινειν, que em linguagem corrente significava “separar”, foi introduzida na filosofia pelo sentido adquirido no vocabulário jurídico, em que era sinônimo de “julgar”. Essa influência da nomenclatura jurídica grega na formação da terminologia e, consequentemente, do próprio pensamento filosófico, em seus primórdios, quando ainda carente de meios próprios de expressão, tem sido com frequência registrada – por exemplo, por Werner Jaeger, em sua obra clássica sobre a cultura grega, Paideia. A Formação do Homem Grego, trad. Artur M. Parreira, São Paulo: Martins Fontes, 1990, p. 133 ss., e, entre nós, pelo saudoso Mestre mineiro Pe. Henrique Cláudio de Lima Vaz em “Filosofia no Brasil, hoje”, in: Cadernos da Sociedade de Estudos e Atividades Filosóficas (SEAF), n0 1, Petrópolis: Vozes, 1978, p. 8/9, dando justamente o exemplo aqui mencionado, da palavra κρισις. Já essa preocupação de adotar uma palavra-guia que escapa do binarismo do gênero, masculino ou feminino, mantendo-se no limiar da indefinição e, sobretudo, neutralizando a masculinidade dominante, alerta-nos quanto à proximidade do projeto epistemológico que aqui se descortina com aquele da chamada teoria queer, palavra que também se costuma deixar sem tradução, em inglês, mas consideramos ser “transviada/o” a melhor opção, por conter referência ao modo pejorativo e “ecofóbico” como sujeitos humanos desejantes desviam – ou não enviam – sua libido ao sexo oposto. Também, lembremos que “transviado” nomeava, em gíria dos anos 1950 e início dos 1960, jovens rebeldes, indisciplinados, não-normalizados, do tipo James Jean, sendo essas características que pretendemos também atribuir à proposta epistemológica aqui contida. E ademais, há o “trans”, de “transmutação”, em “transviado/a”. Para uma introdução ao tema da teoria queer, v. Maysa Rodrigues, “O sexo inventado”, matéria de capa da Revista Sociologia, São Paulo: Escala, n. 33, 2011, pp. 26 – 34, e o Dossiê a respeito na Revista Cult, Carla Rodriguez (ed.), São Paulo: Bregantini, n.193, 2014, pp. 30 – 62. Há teóricos sociais que já vêm tentando desenvolver estudos sobre o que recairia no âmbito do que aparece aqui denominado como quantum critic, em seus respectivos campos. O exemplo mais patente é o de Paul Virilio, com a noção congênere de “espaço crítico” – cf. O Espaço Crítico, trad. Paulo Roberto Pires, Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993; Id., The Virilio Reader, James Der Derrian (ed.), Oxford: Blackwell, 1998 -, como também seria a noção de iminência, elaborada por Canclini, de ser aqui invocada, quando a partir dela define o fato, recorrendo a Jorge Luis Borges, como iminência de uma revelação que não se produz – cf. Néstor García Canclini, A Sociedade sem Relato. Antropologia e Estética da Iminência, trad. Maria Paula Gurgel Ribeiro, São Paulo: EDUSP, 2012, p. 61.

10 Cf., para uma ampla exposição sobre a teoria quântica dos campos, S. Weinberg, The Quantum Theory of Fields, Volume 1 (1995) –  Foundations (tb. in: GoogleScholar),Volume 2 (1996) – Modern Applications, Cambridge: Cambridge University Press (tb. in: GoogleScholar).

[11] Cf. W. Heisenberg, A Ordenação da Realidade, trad.: Marco Antônio Casanova, Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009 [1942]. Aqui nos parece que estamos diante do que Herman Dooyoweerd, jusfilósofo e também pensador da totalidade, enquanto teólogo – de uma perspectiva neocalvinista, reformada -, qualifica, em De Wijsbegeerte der Wetsidee (disponibliizado para download na rede mundial de computadores pelo governo holandês), seu opus magnum, como a priori religioso de todo pensamento, inclusive o científico. Embora na versão para o inglês desta obra, posterior, o A. tenha retirado da noção de a priori, tal como empregada na expressão, o sentido transcendental kantiano, o próprio cerne “ideonômico” de seu pensamento implica a idéia de ordenação de tudo quanto se possa conceber e transmitir a partir de pressuposições sobre o sentido, que em si têm natureza religiosa ou, como preferimos denominar, “mitopoética”, por abranger todo o campo do simbolismo, no qual se pode situar as religiões, como também as elaborações mitológicas, de natureza antes mágica do que religiosa, as artes, o próprio direito etc. Remonta a Platão a concepção de uma estrutura ideonômica do universo dos símbolos coroado, na visão platônica, pela Ideia do Bem (Rep., VI) – cf. Henrique de Lima Vaz, Ética e Direito, São Paulo: Landy/Loyola, 2002, p. 328. O termo é o que entendemos deva ser utilizado para traduzir a expressão-guia do pensamento dooyeweerdiano: wetsidee (vertido para o inglês como Law-Idea e para o alemão como Gesetzesidee).

211 Cf., v.g., Paulo Alexandre Dias Gameiro, A Improbabilidade de Comunicar. In: www.bocc.ubi.pt/pag/bocc-glaydson-improbabilidade.pdf; Id., Comunicação e Improbabilidade: o caso do meio de comunicação simbolicamente generalizado “amor”. In: http://www.bocc.ubi.pt/pag/gameiro-paulo-comunicacao-e-improbabilidade.pdf

212 Cf. J. Butterfield; H. Halvorson (eds.), Quantum Entanglements.Selected Papers for Rob Clifton, Oxford: Oxford University Press, 2004 (tb. in: GoogleScholar).

[14] V. Revista Scientific American Brasil, n. 59, 2014, p. 9; Buchholz, D., 1994, “On the manifestations of particles,” in R. N. Sen and A. Gersten, eds., Mathematical Physics Towards the 21st Century, Beer-Sheva: Ben-Gurion University Press (tb. in: GoogleScholar); D. Dieks; A. Lubberdink, 2011, “How classical particles emerge from the quantum world”, Foundations of Physics, n. 41, p. 1051 – 1064 (tb. in: GoogleScholar); S. Saunders; H. R. Brown (eds.), The Philosophy of Vacuum, Oxford: Clarendon Press, 1991 (tb. in: GoogleScholar).

[15] Cf., v. g., Ontologia Sist̻mica e Complexidade. Formas de Conhecimento РArte e ci̻ncia: uma viṣo a partir da complexidade. Fortaleza: Expresṣo, 2008, p. 50.

[16] Cf. Treatise on Basic Philosophy, vol. 4, Ontology II: a World of Systems, Dordrecht: D. Reidel, 1979, p. 20 ss.

[17] Cf., v. g., J. Ladyman, “What is structural realism?”, Studies in History and Philosophy of Science, n. 29, 1998, p. 409 – 424 (tb. in: GoogleScholar).

[18] Cf., v. g., M. Morganti, “Tropes and physics”, Grazer Philosophische Studien, n. 78, 2009, p. 185 – 205 (tb. in: GoogleScholar).

[19] Há também o emprego pela escola de psicologia analítica junguiana, que remonta àquele na alquimia, em sua busca de transmutar elementos químicos uns nos outros e, de preferência, em ouro – cf., v.g., Elisabeth Zimmermann (org.), Corpo e Individuação, 2ª. ed., Petrópolis: Vozes, 2011; C. G. Jung, Fundamentos de Psicologia Analítica. Obras Completas de C. G. Jung, vol. XVIII/1, 10ª. ed., trad. Araceli Elman, Petrópolis: Vozes, 2001, pp. 114 e 154. De passagem, é de se recordar, com Joel Birman, que foi justamente por sua obra Metamorfoses (꞊ Transmutações, transformations, Umwandlungen) e Símbolos da Libido (vol. V das O.C.) que Jung foi “excomungado” da Sociedade Internacional de Psicanálise – cf. J. Birman, “Os Paradigmas em Psicanálise”, in: Id. et al. (orgs.), A Fabricação do Humano. Psicanálise, Subjetivação e Cultura, São Paulo: Zagodoni, 2014, p. 18. Aqui, vale lembrar também a contribuição de Marshall McLuhan, em sua tese de doutoramento, que permaneceu inédita até 2005, O Trivium Clássico. O Lugar de Thomas Nashe no Ensino de seu Tempo, W. Terrence Gordon (org.), trad. Hugo Langone, São Paulo: É Realizações, 2012, para o caráter alquímico do método gramatical empregado para desenvolver o conhecimento, de maneira predominante, no Ocidente, até o advento daquele de cunho matemático, com Descartes. A propósito, fundamental, é o estudo alentado de Ernst Robert Curtius, Literatura Européia e Idade Média Latina, trad. Paulo Ronái e Teodoro Cabral, São Paulo: EDUSP/HUCITEC, 1996. De passagem, merece alusão à importância que teve a retomada de uma forma similar de pensamento na obra daquele a quem se pode atribuir um papel decisivo para que florescesse na Alemanha a filosofia idealista e o romantismo, que tanto impacto tiveram e ainda têm na cultura moderna: Jacob Boehme.

[20] Cf. Taylor Carman, “Quantum Theory as Technology”, in: Aaron James Wendland et al. (eds.), Heidegger on Technology, Nova York/Londres: Routledge, 2019, p. 299 ss.

[21] A propósito, cf. Márcia Aquino; Willis S. Guerra Filho, “Matrix como a essência da técnica Segundo Heidegger”, Cadernos da EMARF, Fenomenologia e Direito, Rio de Janeiro, vol. V, n. 2, 2013 , p. 97 ss. (disponível em https://sfjp.ifcs.ufrj.br/revista/downloads/matrix_como_essencia_da_tecnica.pdf)

[22] Cf. F. C. Pontes de Miranda, O Problema Fundamental do Conhecimento, 2ª edição, atualizado por Vilson Rodrigues Alves, Campinas: Bookseller, 2005, pág. 160.

[23] Apesar de ter um pano de fundo teórico bem diverso, Caio Prado Jr. exprimiu ideia similar, quando caracteriza dialeticamente a oposição entre sujeito e objeto enquanto diferenciação entre a realidade como se apresenta ao indivíduo e ao seu entendimento, respectivamente. Cf. Dialética e Conhecimento, 2ª. ed., vol. II, São Paulo: Brasiliense, 1955, p. 608.

[24] Heinz von Foerster propõe essa superação ao constatar a insuficiência de se chamar atenção para o papel do observador, influenciando o estado do sistema observado, como se faz no âmbito da teoria cibernética de segunda ordem, sob a influência da combinação do princípio da indeterminação de Heisenberg com a relatividade generalizada, pois para obsevar o observador necessita-se “ver-se através dos olhos dos demais”. Cf. H. von Foerster, “Visão e conhecimento: disfunções de segunda ordem”, in: Dora Fried Schnitman (org.), Novos Paradigmas, Cultura e Subjetividade, trad. Jussara Haubert Rodrigues, Porto Alegre: Artes Médicas, 1996, p. 73.

[25] Cf. Marcos Cesar Danhoni Neves, O que é isto, a Ciência? Um olhar fenomenológico, Maringá: EdUEM, 2005.

[26] Cf. Lucas Angioni, “Aristóteles e o uso da matemática nas ciências da natureza”, in: Michael B. Wrigley e Plínio J. Smith (orgs.), O filósofo e sua história. Uma Homenagem a Oswaldo Porchat, campinas: UNICAMP – Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência, Coleção CLE, vol. 36, 2003, p. 207.

[27] Cf. Mehdi Belhaj Kacem, L’esprit du nihilisme. Une ontologie de l’Histoire, Paris: Fayard, 2009, cap. 3, p. 45 ss., para esta inclusão na ontologia da figura do homo sacer tal como elaborada por Agamben, em conexão com o estudo de A. Badiou “O ser e o Evento”.

[28] Artificial Life and the Creative Potential of Evolution, London: Institute for Contemporary Arts, 1995 (in: http://www.cddc.vt.edu/host/delanda/Institute for Contemporary Arts).